AS PLATAFORMAS ORBITAIS

      O sensoriamento remoto (obtenção de imagens e dados da superfície terrestre através da captação e registro da energia refletida/emitida pela superfície, sem que haja contato físico entre o sensor e a superfície estudada), é uma das principais formas de se obter as informações necessárias para o planejamento e execução das operações militares. Dentro deste contexto, diversos tipos de sensores podem ser ”embarcados” em plataformas orbitais (satélites artificiais), entre os quais, os ópticos, infravermelhos, térmicos e radares.

         Atualmente, seja no levantamento de alvos militares, nas ações de apoio a situações de calamidades públicas, no levantamento territorial das áreas de operações, nas ações anti e contra o terror, ou mesmo, nos mais diversificados ramos da sociedade civil, o emprego da capacidade de imageamento dos sensores embarcados em satélites, apresenta-se em franco desenvolvimento e prossegue, cada vez mais, com suas possibilidades futuras praticamente ilimitadas.

      Trazendo à tona algumas das definições sobre este tema, é interessante dizer que entre as principais características das imagens satelitais, estão os seus tipos de resoluções e de que forma elas podem influenciar nas operações militares. Aprofundando este tema, podemos dividir os tipos de resoluções oriundas destas plataformas em:

          1) RESOLUÇÃO TEMPORAL: Trata-se do tempo que um satélite necessita para passar novamente sobre um mesmo ponto, de uma determinada área no globo e,  consequentemente, o tempo mínimo necessário para que sejam adquiridas novas imagens de uma mesma área. Cada satélite possui uma resolução temporal distinta, como pode ser verificado abaixo:

 – LANDSAT: 16 dias para voltar a imagear uma mesma área no globo;
WorldView: varia de 1,1 a 4,6 dias (variação de acordo com o satélite WorldView-1 ou WorldView-2 e angulação);
CBERS: 26 dias (ocorre variações de sensor para sensor);
IKONOS: 1,5 a 3 dias (dependente da latitude);
GeoEye: 03 dias (no máximo).
          Aplicação: Identificar movimentações de tropas ou eventos naturais na superfície,  a partir da análise de duas imagens de uma mesma área, em períodos distintos. O ponto fraco deste tipo de imageamento vem a tona, quando há necessidade de se realizar o acompanhamento de um alvo em movimento e, ainda mais, se isto tiver que ocorrer de forma contínua.
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           2) RESOLUÇÃO ESPACIAL: Determina o tamanho do menor objeto possível de ser identificado em uma imagem, levando em consideração o tamanho do ”pixel” de cada uma. Por exemplo: se um determinado alvo tem dimensões de 5 m x 5 m, a resolução espacial da imagem para que esse elemento seja identificado é de 5 m.
           Aplicação: Influencia nas mais diversificadas áreas do planejamento de uma operação como, por exemplo, na consideração da ”escala” de uma carta-imagem que se necessita para um determinado objetivo ou no grau de detalhamento previsto para que se possa extrair as informações necessárias de uma região de interesse.

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          3)  RESOLUÇÃO ESPECTRAL: Essa resolução envolve três parâmetros de medida:

  1. Número de bandas espectrais;
  2. Largura do comprimento de onda;
  3. Posição da banda no espectro.
        Analogamente, quanto mais bandas um sensor possuir, maior será sua resolução espectral. Se o sensor possui a capacidade de imagear várias ”faixas” (largura do comprimento de onda) do espectro, que é composto por bandas distintas, através dele torna-se possível identificar, mais claramente, diferentes tipos de materiais na superfície.
        Isto ocorre, pois para cada ”banda” citada, o sensor possui a capacidade de emitir uma onda com frequência distinta, que será emitida, refletirá e retornará ao sensor emissor com tempo e intensidade, também distintos. Essa variação ocorre pois, ao encontrar a superfície da Terra, a reflexão ocorre em ”objetos” variados e de constituições físicas diversas que, logicamente, será responsável por respostas também diversas. Ao se ter conhecimento da frequência de reflexão destes materiais, torna-se possível a identificação dos mesmos, quando uma resposta semelhante for novamente encontrada em um novo imageamento.
        Aplicação: Quanto mais bandas, maiores serão as possibilidades de identificar alvos que se encontrem no terreno mas que estejam utilizando técnicas para burlar a sua observação, como a simulação ou dissimulação. Baseado na resposta espectral de cada alvo, pode ser montada uma biblioteca, com os valores de resposta (frequência) de cada um destes ”objetos” ou ”materiais”, que possibilitarão a sua identificação em situações posteriores e que, através da observação tradicional, visual ou óptica, não seria possível.
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         4) RESOLUÇÃO RADIOMÉTRICA: É dada pelo número de níveis de cinza utilizados para se compor a imagem. Tais valores são expressos em forma de números binários (bits). Para se calcular quantos níveis de cinza um sensor é capaz de coletar elevamos 2 à potência do valor em bits: uma imagem de 1 bit terá 2 níveis de cinza, 2¹ = 2, já uma imagem de 8 bits terá 256 níveis de cinza, 28 = 256.
           Aplicação: Com uma imagem de 11 bits  de um satélite com resolução espacial de 0,5 m (WordWiew) é possível analisar a diferenciação das tonalidades da vegetação (níveis de cinza) em uma área de mata, facilitando identificar um veículo blindado camuflado ou a existência de um acampamento em meio a mata densa. Entretanto se o objetivo for apenas delimitar os tipos de elementos existentes no ”terreno” da área de operações, uma imagem de 8 bits com resolução espacial de 30 m (LANDSAT) atenderá a esta demanda.
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KHUSHAB, PAKISTAN – JANUARY 15, 2015: ISIS analysis of Digital Globe imagery of the Khushab nuclear site on January 15, 2015. (Photo DigitalGlobe/ISIS via Getty Images) Khushab Nuclear Complex is a plutonium production nuclear reactor and heavy water complex situated 30 km south of the town of Jauharabad in Khushab District, Punjab, Pakistan.

             Atualmente no país, a aplicação de técnicas que utilizem as resoluções espectrais e radiométricas, em operações militares, ainda são muito insipientes, com um histórico de emprego praticamente nulo. Entretanto, quando se trata do emprego baseado nas características das resoluções temporais e espaciais, as mesmas são utilizadas rotineiramente como parâmetro na aquisição das imagens de plataformas nacionais, como por exemplo o CBERS e de plataformas internacionais, como o norte-americano WorldWiew.
             No tocante às imagens proveniente de satélites comerciais, é importante citar que elas podem apresentar uma resolução espacial de até 30 cm, sendo impossível afirmar qual seria a melhor resolução existente quando se trata dos sensores embarcados nos ditos ”satélites espiões” das grandes potencias.
             Por fim, cabe ressaltar que apesar do rápido crescimento do emprego dos ”Drones” (Aeronaves Remotamente Pilotadas) e de sua inquestionável versatilidade, o fato dos satélites serem empregados fora do alcance das artilharias e das forças aéreas, ainda os fazem a melhor opção nos quesitos sigilo e segurança das operações.
 1) Referências para base teórica:

   – Introdução ao Processamento de Imagens de Sensoriamento Remoto. Disponível em: <http://www.cnpq.br/documents/10157/56b578c4-0fd5-4b9f-b82a-e9693e4f69d8>

   – Sistemas Orbitais de Monitoramento e Gestão Territorial. Disponível em: <http://www.sat.cnpm.embrapa.br/>

EXTREMISMO E TERRORISMO

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      Dentre as maiores dificuldades enfrentadas pelas sociedades civilizadas modernas, estão o recrudescimento das ações de intolerância étnica e religiosa, que através de ações coordenas ou não, e com o recrutamento de indivíduos simpatizantes em todo o mundo, vem ganhando vulto, através do ”extremismo” religioso, ou ainda de forma mais enfática, com o chamado ”terrorismo”.

Não há uma definição de terrorismo que seja aceita por toda a comunidade internacional. Há diversas acepções, que variam conforme o propósito das ações e o entendimento sobre o tema. Em comum, esses conceitos apresentam o uso da violência com motivação política, que os difere das ações unicamente criminosas, motivadas por lucro ou por desvios de comportamento (RAMOS JR, 2003).

Considerando-se que o objetivo do terrorismo é provocar pânico, sua vítima preferencial não é a vítima tática, aquela que perde a vida no atentado, por uma questão inequívoca: os mortos não temem. As vítimas buscadas pelo terrorismo são, portanto, aquelas que sobrevivem e se sentem indefesas ante a vontade do terrorista. O fundamento do terror, portanto, não é morte ou aniquilamento, mas a sensação de vulnerabilidade, impotência e desamparo ante o atentado (SAINT-PIERRE, 2005).

O combate ao terrorismo possui duas grandes vertentes: o antiterrorismo e o contraterrorismo. O antiterrorismo compreende medidas eminentemente defensivas, que objetivam a redução das vulnerabilidades aos atentados. O contraterrorismo abrange medidas ofensivas, tendo como alvo os diversos grupos identificados, a fim de prevenir, dissuadir, ou retaliar seus atos (PINHEIRO, 2004).

Neste contexto, já há algum tempo o emprego das Aeronaves Remotamente Pilotadas (ARP) ou UAV, vem sendo amplamente difundido, tanto em ações de reconhecimento de alvos como em ações de ataque a células terroristas.

Podemos inserir ainda, dentro do emprego das plataformas orbitais e sub-orbitais, seja em reconhecimento ou ataque, o aumento exponencial da relevância no emprego da análise de Geointeligência e o processamento digital de imagens, com os mais diversos objetivos, como: busca pela descoberta do ”modus operandi” ; busca pela antecipação de novos atentados ou eventos futuros de maior magnitude; realização de identificação e localização de alvos; confecção de reproduções de ambientes em três dimensões, para fins de treinamento de equipes táticas; acompanhamento de ”alvos” em movimento; entre outras.

Pode-se concluir com isso que, de uma forma geral, o emprego da análise de Geointeligência e da inteligência de imagens, para fins de planejamento e acompanhamento das atividades de antiterror ou contraterror, vem contribuindo sobremaneira na luta contra o extremismo, bem como, vem tornando cada vez mais eficazes as ações militares correlatas.

CALAMIDADES PÚBLICAS

 

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        Em todo o mundo, costuma ser regra o emprego do aparato militar em apoio aos Órgãos de Defesa Civil, nas mais diversas atividades: busca e salvamento; apoio de saúde e assistência às vítimas; distribuição de água, doações de cestas de alimentos, material de limpeza e material de higiene; remoção de desabrigados e de pessoas em áreas de risco; remoção de mortos; desobstrução e remoção de escombros; restabelecimento do tráfego pela desobstrução e restauração de vias de circulação e lançamento de pontes; distribuição de água potável; combate a incêndios florestais; transporte terrestre e aéreo; apoio em pessoal, material e meios de transporte às ações de defesa civil; apoio logístico às equipes empenhadas; reconhecimentos técnicos.

        Apesar da importância direta de todas as ações citadas, por vezes passa despercebido em eventos desta natureza, que em situações de falência da infraestrutura básica de transportes e modificação das feições do terreno, a única forma de realizar o planejamento e execução das primeiras medidas emergências, pode ser através da análise de imagens satelitais ou, mais recentemente, das imagens geradas por drones.

       Cabe ressaltar que se o equipamento e pessoal técnico especializado não estiver presente e disponível para cumprir este tipo de demanda, por vezes, a logística necessária para o apoio às vítimas não terá como chegar ao local do evento, ou chegará consideravelmente atrasada, colocando um maior número de vidas em risco.

       Desta forma, pode-se chegar a conclusão que este tipo de tecnologia merece ser estudada e desenvolvida até os seus melhores patamares, para que possa cada vez mais, servir como uma ferramenta segura e eficaz na garantia do apoio necessário, para situações de emergências ou calamidades públicas, por parte das forças armadas.

TERRENO, CONDIÇÕES METEOROLÓGICAS E AS OPERAÇÕES MILITARES

        A análise do terreno e das condições meteorológicas são inseparáveis e influenciam diretamente as operações militares dos oponentes.

      Dentro deste contexto, o terreno inclui os recursos naturais (como rios e montanhas) e características artificiais (como cidades, aeroportos e pontes). O comandante analisa o terreno considerando os cinco aspectos militares do terreno expressos na sigla OCOAV: observação e campos de tiro, cobertas e abrigos, obstáculos, acidentes capitais e vias de acesso. Os aspectos militares quanto às condições meteorológicas incluem visibilidade, vento, precipitação, nebulosidade, temperatura, umidade.

        Através das novas tecnologias vigentes, em especial com o uso de satélites e drones, todo o estudo e a captação de dados necessários ao estudo e planejamento das ações que envolvem o teatro de operações podem ser alterados e melhorados de forma contundente e definitiva.

     A alimentação constante e utilização rotineira de um banco de dados geográficos amplo, sendo operado através de um Sistema de Informações Geográficas (SIG), somado ao emprego de ferramentas computacionais modernas, tornam possíveis a geração de produtos em duas ou três dimensões que podem conter todos os dados e análises necessárias sobre o Terreno e Condições Meteorológicas no campo de batalha.

       Por fim, cabe lembrar ainda que, a qualidade com que se produzem os conhecimentos sobre as condições do ambiente operacional, em especial dos fenômenos Meteorológicos, pode ser a diferença entre uma vitória contundente e uma trágica derrota.

“Conheça o inimigo e a si mesmo e você obterá a vitória sem qualquer perigo; conheça o terreno e as condições da natureza, e você será sempre vitorioso” – Sun Tzu (544-496 a. C).

Referência:

  • EB20-MC-10.211