GEOINT: DISCIPLINA PECULIAR

1.INTRODUÇÃO

   A Inteligência Geoespecial, Geointeligência ou Geoint, é definida por vários autores (Fleming, 2015), (Bacastow, 2015a) como a interseção das competências da Inteligência (tradecraft), da Ciência da Informação Geográfica (GIScience), e da Tecnologia da Informação Geográfica (GIT).

   Especificamente, a GEOINT providencia perceções a partir do lugar e do tempo tendo por objetivo obter uma vantagem na decisão, através da integração entre as competências citadas.

   A GEOINT é ainda, uma subdisciplina da geografia, sendo única em relação às outras formas de análise geoespacial, devido ao seu conjunto de competências (tradecraft).

2.DESENVOLVIMENTO

   Numa primeira abordagem, (NGA, 2006) adota a seguinte definição de “tradecraft” em GEOINT: a aplicação das competências, da liderança, da formação permanente, da tutoria, da experiência, e de conhecimento de GEOINT numa ou várias especialidades.

   Mais recentemente, em (USGIF, 2015) define-se tradecraft em GEOINT como compreendendo as técnicas ou métodos únicos para se obterem os dados de GEOINT, determinar o seu significado e apoiar o decisor.

   Dentro destas idéias, a Inteligência proporciona “uma vantagem na decisão” (ou “uma vantagem competitiva” segundo o termo usado por (Graça, 2009)) para impedir uma surpresa, capitalizar oportunidades emergentes, neutralizar ameaças, ou fornecer tempo para nos adaptarmos a uma situação em mudança.

   A inteligência é, em última análise, informação que vai de encontro às necessidades de um decisor. A Inteligência é informação que foi recolhida, processada, resumida, e fornecida para cobrir aquelas necessidades, que se podem aplicar a todos os domínios.

   Neste contexto, os métodos de GEOINT que compreendem as ferramentas para organizar os dados geoespaciais; as técnicas para efetuar juízos, percecionar, e prever atividades humanas e as suas intenções; as competências para detetar a fraude geoespacial e, quando for exigido, manter o secretismo acerca dos métodos e fontes geoespaciais utilizados, fazem da GEOINT, no seu conjunto, uma disciplina única.

3.CONCLUSÃO

   Em resumo, ainda segundo (Bacastow, 2015a) há quatro características fundamentais que, quando combinadas, distinguem a GEOINT das outras disciplinas: as Ciências Geográficas, o Domínio do Conhecimento, o Impacto Humano e a Vantagem Competitiva.

   A GEOINT não se aplica apenas às áreas da defesa e segurança. A GEOINT fornece conhecimento aos decisores que pode ser diretamente aplicado nos negócios, nos esforços humanitários, na aplicação da lei, entre outras.

   Concluindo, devido as suas características peculiares únicas, como se vê na associação com a inteligência, e a ampla gama de possibilidades de emprego, a Geoint se diferencia de forma contundente das outras disciplinas de análise geográfica.

REFERÊNCIAS

-NGA, 2006. Geospatial Intelligence (GEOINT) Basic Doctrine Publication 1-0. [Online] Available at: http://fas.org/irp/agency/nga/doctrine.pdf

-USGIF, 2015. State of GEOINT Report – USGIF.. [Online] Available at: http://usgif.org/system/uploads/3661/original/SOG_FINAL.pdf

-Graça, P. B., 2009. A Inteligência Competitiva no Mundo dos Negócios. Em: P. B. Graça, ed. Estudos de Intelligence. Lisboa: UTL – ISCSP, pp. 159-175.

-Fleming, S. D., 2015. USC GIST Presents | COL [R] Steven D. Fleming | GEOINT. [Online] Available at: https://www.youtube.com/watch?v=xVIDGDRTYbk&feature=youtu.be&list=PLw901Vlvl3Yy9ElnsqvLzD9bjXBgg6wFB

-Bacastow, T., 2015a. What Makes GEOINT, GEOINT? « Earth Imaging Journal: Remote Sensing, Satellite Images, Satellite Imagery.. [Online] Available at: http://eijournal.com/print/column/industry-insights/what-makes-geoint-geoint

SIG – UM BREVE RESUMO

1.INTRODUÇÃO

         A utilização dos dados geoespaciais de um Sistema de Informações Geográficas (SIG), atualmente, é fundamental para decisões sobre planejamento e gestão de recursos, bem como a elaboração de políticas públicas e privadas, pois facilitam a análise espacial e a tomada de decisões [1].

27052014_sig_-_camadas          Entretanto, a obtenção e a produção de dados geoespaciais consistentes e confiáveis representam a maior parte dos custos no processo de planejamento e gestão. Estes dados são produzidos por diversos atores – instituições públicas e privadas – o que ocasiona redundância nos dados e desperdício de recursos financeiros [2].

          As IDE têm se mostrado como uma excelente solução para resolver esses problemas e facilitar o acesso e o compartilhamento aos dados geoespaciais. A primeira preocupação para coloca-la em prática, se baseia em possibilitar este ambiente de interoperabilidade proposto por uma IDE.

2.DESENVOLVIMENT0

        Poveda e Vazquez em [3] conceituam IDE como uma infraestrutura necessária para o acesso, compartilhamento, troca, combinação e análise dos dados geográficas, de forma padrão e interoperável. Também consideram a necessidade de que estes dados estejam disponíveis em rede, por meio de um conjunto de sistemas que utilizam protocolos e interfaces padrões, propiciando a criação de aplicações que possam ser vistas pelo usuário como um único sistema.

     De uma maneira simplificada, apresentam uma IDE como um “SIG aberto implementado sobre a rede com tudo o que isso implica: componentes distribuídos, interfaces padrões, interoperabilidade, coordenação, acesso aos dados, capacidade de análise como objetivo, etc.” Apresentam a IDE como um elemento importante para a democratização das informações geográficos e ampliam a definição para além do tecnológico.

27052014_sig       A principal distinção entre os conceitos de SIG e IDE é que o segundo tem foco no compartilhamento de informações geográficas, estendendo sua atuação para além das fronteiras do primeiro.

3.CONCLUSÃO

     O atual paradigma da sociedade da informação e conhecimento, as economias relacionadas com a informação são cruciais para o crescimento, competitividade e emprego, garantindo aos cidadãos uma melhor qualidade de vida enquadrada numa lógica de desenvolvimento sustentável. As infra-estruturas de informação são os pilares deste novo paradigma [4].

REFERÊNCIAS:

[1] DAVIS JR., C. A.; ALVES, L. L. Infraestruturas de Dados Espaciais: Potencial para Uso Local. Revista Informática Pública, ANO 8 N1, p.14, ano 2005.

[2] RAJABIFARD, A., WILLIAMSON, I. P. Spatial Data Infrastructures: Concept, SDI Hierarchy And Future Directions. Proceedings of GEOMATICS’80 Conference, Tehran – Iran, p. 1-10. Ano 2001.

[3] Miguel Á Bernabé-Poveda e Carlos M López-Vázquez. Fundamentos de las Infraestructuras de Datos Espaciales (IDE). BibliotecaOnline SL, p. 8, 9, 10, 15, 16, 17. Ano 2012.

[4] CASTELLS, M.; HIMANEN, P. The Information Society and the Welfare State: The Finnish Model. New York, Oxford University Press, 200p. Ano 2002.